Serviço de Assistência e Movimento de Educação

   

 

No Inverno da Vida
 

 

Ser idoso não é sinônimo de ser doente. Ser idoso é ser avançado em idade. Todo o ser humano tem o direito de envelhecer com dignidade; mas, à medida que os anos passam, também as condições físicas e intelectuais do indivíduo se vão deteriorando, aumentando assim a sua dependência física, e a tendência para o isolamento e depressão, agravadas pelo sofrimento de doenças, perda de bens materiais e falecimento de entes queridos.
Se o estilo de vida do indivíduo foi saudável, enquanto mais novo, agora com mais idade poderá manter uma vida mais ou menos agradável, um equilíbrio emocional adequado e poderá até desfrutar a sua velhice em paz, sentindo-se ainda um elemento válido e útil aos familiares, amigos, à comunidade e sociedade em geral – o voluntariado é uma prova disso.
É difícil por vezes “aceitar” as mudanças normais, mas que o idoso tende a banalizar e até a esconder da família e dos amigos, com o receio de ser marginalizado, esquecido ou até de que o internem num asilo.

 
 

O idoso tem de sentir que é amado, acarinhado, compreendido e estimado.
Cada indivíduo idoso é um caso especial, que deve ser tratado e ajudado como ser humano que é.
Ele tem sobre os seus ombros cansados uma vida inteira, que carregou sozinho (ninguém pode viver e sentir a experiência de outrem), quer vivesse só ou com familiares, cheios de bons e maus momentos, de alegrias e tristezas, de sucessos e fracassos, de saúde ou de doenças, de risos e de lágrimas, muitas delas escondidas, choradas a sós, onde só Deus estava presente.

 
 

Há sinais e sintomas físicos e psíquicos que se podem apresentar e que devem ser resolvidos ou atenuados a tempo.
Alterações de visão e audição que acentuam o desequilíbrio e tornam o idoso dependente de terceiros. Nestes casos há que estimular a sua confiança e auto--estima, de maneira que se mantenha autônomo, sabendo, no entanto, que está “acompanhado”.
A falta de dentes, a diminuição da secreção de enzimas digestivas e alterações da mobilidade intestinal, são as grandes dificuldades sentidas pelos idosos na ingestão e digestão de alimentos; há que ensinar, ajudar na escolha e confecção dos alimentos, diminuindo a quantidade e aumentando o número de refeições diárias, a ingestão de fibras e de água, conforme a sua necessidade.
As artroses, joanetes, osteoporose, etc., condicionam a mobilidade física. Há que estimulá-lo a andar, a tratar das tarefas diárias, da sua higiene, das pequenas compras, tudo o que possa fazer e o mantenha ativo.
A maior parte dos idosos estão tão sobrecarregados de medicamentos (pois recorrem ao médico mais assiduamente, procurando nele, muitas vezes, a companhia e a pessoa com quem podem falar) que acabam por não atingir o resultado esperado, mas criando, por vezes, situações bastante nocivas à saúde.
O maior problema do idoso é, sem dúvida, o isolamento – solidão, insônias e depressão. Ele pode viver com a família e sentir-se só.
Há também aqueles que preferem – ou não têm outra solução – continuar a viver sós na sua casa. Ali, há uma vida inteira a recordar. A casa está cheia de recordações do casamento, dos filhos, dos pais a quem a casa pertencia, das dificuldades, lutas perdidas e ganhas, tempos passados, que ninguém – nem os seus! – pode compreender... Há que respeitar. Mas há, também, o dever de ajudar, orientar, ouvir, aconselhar e, principalmente, amar e acompanhar.
Atualmente, há Centros de Dia (infelizmente, pelo seu número e preço, não chegam a todos), há associações, instituições particulares, Juntas de Freguesia e outras, que promovem ginástica, convívios, ocupação de tempos livres, passeios a pé e de autocarro.
No entanto, o que o idoso mais necessita é de carinho, amizade, compreensão, companhia e ajuda.


Maria de Lurdes Andrade
Enfermeira Diplomada

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